O que aprendi caçando talentos para a Editora Gente
Uma das perguntas que mais recebo é: “Rosely, como você escolhe os autores em que aposta para serem best-sellers?” A resposta pode soar simples demais para alguns, mas carrega profundidade: eu escolho pelo brilho nos olhos.
Esse brilho não é metáfora romântica; é um indicador de liderança, um sinal de prontidão e compromisso, um movimento interno que vale tanto para autores quanto para executivos, CEOs e empreendedores que desejam assumir a própria voz.
Digo isso porque, ao longo dos anos, já precisei dizer “não” a celebridades e nomes amplamente conhecidos. Muitos se surpreendem, mas para mim se tornou muito claro que não existe técnica capaz de sustentar um projeto sem verdade.
Trabalhando com livro, as intenções aparecem cedo: se o propósito não é genuíno, se a motivação é ego, se o livro nasce mais de vaidade do que de contribuição, o processo simplesmente não flui. A equipe não engaja, o autor não amadurece, o leitor não se conecta. E o mesmo vale para as organizações. Empresas até podem conquistar atenção momentânea com campanhas brilhantes, mas só constroem reputação sólida quando existe coerência entre discurso, escolhas e atitudes.
Por isso, ao avaliar um autor – e, da mesma forma, quando observo um líder – eu busco três sinais muito claros:
Brilho no olho
Não é animação passageira. É o incômodo bom de quem já não consegue segurar o que tem para entregar ao mundo.
Propósito claramente assumido
A pessoa sabe porque trabalha, o que defende e qual transformação deseja provocar.
Disposição para encarar um movimento, não um atalho
Um livro sério inaugura uma jornada — negócios, palestras, parcerias, exposição. Liderar também é isso.
Quando um autor se entrega de verdade a esse processo, algo transformador acontece: ele cresce como pessoa, como referência e como líder da própria mensagem, muitas vezes a ponto de ultrapassar o tamanho da empresa que criou. E isso não é um problema; é uma conquista natural.
Vejo autores reorganizando seus negócios, estruturando carreiras de autoridade, ampliando sua atuação em palestras, workshops, mentorias e até em novas frentes empresariais. A partir do livro, a visibilidade e a credibilidade passam a puxar o crescimento da própria operação.
É por isso que sempre provoco CEOs e empreendedores com uma pergunta direta: “Você está se escondendo atrás da sua empresa ou está disposto a ser protagonista da mensagem que ela representa?”
Vivemos em um mundo em que a mídia – tradicional ou digital – busca vozes reais, histórias autênticas, interpretações maduras. Logotipos não conversam com pessoas. Quem assume essa presença abre portas que nenhuma verba de marketing, isoladamente, conseguiria abrir.
Existe, no entanto, um padrão que observo com frequência: aqueles que mais resistem a se expor são justamente os que mais têm a contribuir. São profissionais que olham as redes e dizem que ali há muita superficialidade, muita “abobrinha”. E eu sempre devolvo: “Se você estivesse lá, talvez esse espaço não estivesse sendo ocupado por abobrinha.” Por trás dessa resistência, quase sempre encontro três barreiras conhecidas:
Síndrome do impostor: a sensação de que ainda não estão prontos.
Medo de rejeição: o receio de não corresponder às expectativas.
Expectativa de perfeição: o desejo de acertar antes mesmo de começar.
Eu entendo essas barreiras. Colocar-se no mundo exige técnica, preparação e coragem. No início, é desconfortável. Mas existe um lugar muito bonito reservado para quem decide colocar o coração no que faz e se permitir ser visto. E, para quem ainda não se sente pronto para dar grandes passos, há caminhos que tornam esse movimento mais natural, seguro e verdadeiro:
Começar em espaços onde a generosidade é maior do que a cobrança, como instituições sociais, projetos educacionais e iniciativas comunitárias. Esses ambientes acolhem, fortalecem e oferecem a chance de experimentar a própria voz sem a pressão da performance.
Testar a mensagem em grupos menores, em círculos de confiança, em reuniões internas, em encontros de equipes. Quando reduzimos a escala, reduzimos também o peso emocional, o que permite ajustar a narrativa com mais clareza.
Observar atentamente a reação das pessoas, não para buscar aprovação, mas para perceber onde a mensagem toca, onde provoca reflexão. A confiança nasce quando enxergamos, nos olhos dos outros, que aquilo que dizemos faz diferença.
Essa construção progressiva ajuda a fortalecer a mensagem e, especialmente, a fortalecer o mensageiro.
A minha visão de sucesso também nasceu dessa jornada. E talvez ela soe incômoda para alguns, mas acredito profundamente que sucesso é transformar vidas com o seu conhecimento e ser próspero financeiramente por causa disso. Não vejo conflito nisso. Impacto sem sustentabilidade gera frustração; dinheiro sem sentido gera vazio. Os protagonistas que busco – sejam autores ou líderes – são aqueles que assumem sua missão sem se esconder atrás de desculpas ou cargos, aqueles que aceitam a disciplina de construir algo do tamanho da própria potência, e aqueles que entendem que nenhum grande movimento é realizado sozinho.
No fim, o brilho nos olhos que eu procuro não tem nada a ver com vaidade. Tem a ver com responsabilidade. É o olhar de quem percebe que carrega algo importante demais para deixar guardado dentro de si. São essas pessoas que passei mais de 40 anos procurando, e são elas que o mundo dos negócios, hoje mais do que nunca, precisa aprender a reconhecer, apoiar e amplificar.


Rosely Boschini
CEO Editora Gente

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