A guerra comercial vai bater à nossa porta?

A guerra comercial vai bater à nossa porta?

A resposta é SIM. No entanto, não sabemos quando, de que forma e com qual intensidade.


Não obstante às recentes políticas protecionistas, a economia mundial continua fortemente interconectada. Aproximadamente a metade das peças que compõem os automóveis montados no Brasil têm origem em vários países de diversos continentes. Assim, a chamada guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos contra as importações chinesas tem seus efeitos em todos os mercados. E, como ocorre em qualquer guerra, no início é problemático saber quando ela termina e qual será seu resultado. Isso nos obriga a analisar essa questão num contexto mais amplo e, ao mesmo tempo, em níveis de abstração diferentes para descer do patamar global com o objetivo de chegar à realidade concreta do nosso negócio.

Nesse mundo fortemente globalizado temos sempre que lembrar que “tudo depende de tudo”. Vejamos como isso funciona. Os EUA aumentam os impostos de importação sobre celulares fabricados na China. E aquele país, para mostrar sua indignação e como contra-ataque, dificulta a importação de soja que tradicionalmente é comprada em sua maioria de agricultores americanos. Já que os asiáticos precisam de soja e milho para suas cadeias de alimentos, a China passa a comprar mais do Brasil. Porém, nossos produtores dificilmente conseguem dobrar sua produção de um momento para outro, com a consequência que parte dessa demanda é canalizada para a Argentina. Isso, por sua vez, alivia o problema do balanço de pagamentos do país vizinho, com o efeito positivo de que voltam a comprar carros e eletrodomésticos do Brasil.

Nesse cenário, ganham as regiões brasileiras com forte produção agrícola e, em menor proporção, regiões industriais que exportam produtos para o vizinho.

Assim, podemos observar que é importante posicionar nosso negócio individual e local no mapa do fluxo global do comércio. Cidades no Centro-Oeste, não obstante o ainda baixo nível de crescimento da nossa economia, ganham impulsos positivos baseados na maior exportação dos grãos.  O resultado é mais faturamento, mais emprego, mais consumo de máquinas e combustível, mais trabalho para oficinas mecânicas, maior demanda por crédito, crescente disposição do consumidor para comprar produtos duráveis, etc. Algo semelhante vale para as regiões industriais que passam a exportar mais veículos ou produtos duráveis tanto para o país vizinho como para as regiões rurais do Brasil.

Se tudo está melhorando nesses segmentos e através do efeito multiplicador, em relação ao resto da economia podemos estar satisfeitos? Talvez não. Guerras são como movimentos de placas tectônicas. Nada fica no lugar. Tudo precisa ser repensado e organizado conforme a nova realidade pós-guerra. Pois, a redução do comércio internacional afeta todas as economias e com isso, mesmo com certo atraso também, e de forma potencialmente maior, a economia nacional. A redução do crescimento global dificultará investimentos. Sem esse financiamento, o Brasil dificilmente criará novos empregos. Como resultado e, dependendo da chamada elasticidade da renda, alguns produtos sofrerão mais (máquinas, móveis, turismo) e outras menos (padarias, serviços médicos). Conforme nosso ramo e localização, as coisas enfrentarão impactos distintos. Porém nessa guerra, que só começou, devemos aproveitar essa janela de oportunidade em função da vantagem competitiva do agro brasileiro para focar na redução dos custos, na melhoria da nossa estratégia comercial e na capacitação do nosso pessoal. Desta forma teremos menos dificuldade para enfrentar os desafios do novo cenário instável, que já recebeu o nome “VUCA”, e que vamos abordar em nossa próxima conversa.

 

Date

11 Outubro 2019

Tags

Colunistas, Francisco Villa

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